16 de maio de 2009

O pão-de-ló da Natália

Que me perdoem os leitores mais circunspectos, mas tenho de ocupar-me aqui, ao menos em breves linhas, daquela que é, sem exagero absolutamente nenhum, uma das grandes atracções do momento no glorious eden. Tanto assim é que conheço eu quem venha de Lisboa a Sintra, pela tardinha, a despeito do IC 19 em hora de ponta, para lhe render homenagem.

Travesseiros da Piriquita, queijadas da Sapa, pastéis de nata do Gregório: en garde! O pão-de-ló da Natália vem tomar a vanguarda da doçaria sintrense.

Não é sem algum temor que aqui deixo este desabafo. Afinal, quem sabe se por um destes dias amenos e compridos de Maio, que pedem mesmo esplanada — e em Sintra não há como a da Natália, soalheira, sóbria, sem os turistas da vila — dizia eu, quem sabe se por um destes dias não se dá a hecatombe de eu, afanado, pressuroso, pressentindo já o deleite da primeira garfada, não encontrar naquela irresistível vitrina uma derradeira fatia, de glace sorridente a acenar-me. Penitenciar-me-ei então, minado pela suspeita de que possa ter sido esta imprudente confissão à blogosfera a resultar em tamanha decepção. Não foi o que aconteceu no dia em que registei para a posteridade esta garbosa fatia — por sinal nos alvores de Abril, quando não apetecia ainda a esplanada. Qual Alencar devaneando em Seteais, bem lhe podia ter dito:

Abril chegou.

Sê minha!

Foi.

Esta e outras.

Como gente educada, combinamos já: ninguém tira a última!

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