13 de junho de 2009

A cruz da Tapada do Inhaca


(Foto: sintra, acerca de)
Não resisti a reproduzir aqui esta foto do interessantíssimo blog sintra, acerca de. Trata-se de uma singela cruz existente na Tapada do Inhaca, visível da estrada, ao subir dos Mouros para a Pena, sobre a esquerda. Como tantas outras cruzes da serra, lembra-nos aquele poema que Herculano dedicou, em 1849, a uma cruz mutilada, quando passou uma temporada no convento do Carmo, na Eugaria.
«Amo-te, ó cruz, no vértice, firmada
De esplêndidas igrejas;
Amo-te quando à noite, sobre a campa,
Junto ao cipreste alvejas;
Amo-te sobre o altar,
onde, entre incensos,
As preces te rodeiam;
Amo-te quando em préstito festivo
As multidões te hasteiam;
Amo-te erguida no cruzeiro antigo,
No adro do presbitério,
Ou quando o morto,
impressa no ataúde,
Guias ao cemitério;
Amo-te, ó cruz, até, quando no vale
Negrejas triste e só,
Núncia do crime, a que deveu a terra
Do assassinado o pó:
Porém quando mais te amo,
Ó cruz do meu Senhor,
É, se te encontro à tarde,
Antes de o Sol se pôr,
Na clareira da serra,
Que o arvoredo assombra, à luz que fenece
Se estira a tua sombra,
E o dia últimos raios
Com o luar mistura,
E o seu hino da tarde
O pinheiral murmura. (...)»
Alexandre Herculano, A Cruz Mutilada, 1849.

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