2 de agosto de 2009

M. S. Lourenço (Sintra, 1936 - ib.2009)

Subamos e desçamos a avenida
Enquanto esperamos por uma outra (ou pela outra) vida.
Alexandre O'Neill
Depois de Bénard, M. S. Lourenço... E assim vai Sintra ficando mais pobre. Discreto e altivo como era, Manuel Lourenço não dava azo a grandes aproximações. Habituei-me a observá-lo de longe, quando, por vezes, o surpreendia nas suas deambulações solitárias e superlativamente pensativas pela vila. E enfim, tantas vezes nos cruzámos que o aceno de cabeça, o boa tarde, acabaram por surgir, para grande espanto e júbilo meu. Desde então, cruzando-nos por vezes, há coisa de seis, sete anos, no efémero café do Mário (na Consiglieri Pedroso), não havia ninguém mais genuinamente amável que Manuel Lourenço.
O poeta e filósofo era, pela discrição, por certa distinção aristocrática, por todo um ar contemplativo e vagamente nostálgico, o perfeito tipo do sintrense romântico, fiel ao nevoeiro e à sua velha casa, à Fonte da Pipa, onde se alojara Richard Strauss aquando da sua célebre visita a Sintra.
Da ligação de M. S. Lourenço a esta terra é bem significativo o título da sua antologia — Caminho dos Pisões — que a Assírio anuncia para breve.
Sábado, em Sintra, M. S. Lourenço subiu o último degrau do Parnaso.
Notícia do Público sobre M.S. Lourenço aqui.

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