Foto: SOS Capuchos
Soneto da pedra na floresta antiga
Somos a pedra que na terra antiga
fora afeiçoada pelas mãos pacientes,
e abandonada à chuva dos milénios,
as árvores lhe entraram pelo rosto
A dor nos invadiu e dilacera
e a humidade da selva nos devasta.
Tudo o que outrora foi forma e quebranto
desfaz-se hoje no abraço das raízes.
Resta a esperança de salvar a vida,
acolhendo um destino vegetal,
que envolva a rocha mas preserve os olhos.
E pela humilde aceitação da sorte,
mutilados embora, mas presentes,
guardaremos as almas na floresta.
Odylo Costa Filho, Antologia da Poesia Brasileira, José Valle de Figueiredo (Odylo foi adido cultural à embaixada do Brasil em Lisboa: alguma coisa me diz que há um rasto sintrense neste soneto).

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