17 de dezembro de 2011



Casa branca em frente ao mar enorme, 
Com o teu jardim de areia e flocos marinhas 
E o teu silêncio intacto em que dorme 
O milagre das coisas que eram minhas.



A ti eu voltarei após o incerto 
Calor de tantos gestos recebidos 
Passados os tumultos e o deserto 
Beijados os fantasmas, percorridos 
Os murmúrios da terra indefinida.



Em ti renascerei num mundo meu 
E a redenção virá nas tuas linhas 
Onde nenhuma coisa se perdeu 
Do milagre das coisas que eram minhas.



                                    Sophia, Poesia I, 1944.

13 de dezembro de 2011

Um dia bem passado

                                                                 



De vez em quando acontece, um dia bem passado. Um dia que é o contrário da vida, porque desde o primeiro ao último momento acordado, passa-se bem, como antigamente se dizia em Angola e cá. 
Um dia bem passado não pode ser planeado. Mas tem de ser protegido. Um dia bem passado é um dia que se passa quase às escondidas. Parece mais roubado do que um beijo - e tem razão. 
Um dia bem passado, como foi o último dia de Setembro para a minha mulher e para mim, tem de meter pargos, lavagantes, ostras e beijinhos. 
Na Praia das Maçãs, nos boníssimos restaurantes Neptuno e Búzio, as ostras são sumptuosas. Mas não as vendem à dúzia e à meia-dúzia, comme il faut. É ao peso, a granel, como eles as compram. É uma prática que irrita. Mas com toda a delicadeza, claro. Como uma pérola, formada pela irritação de um grão de areia dentro de uma ostra. O peso de uma ostra (a concha mais a carne) nada diz sobre o peso do molusco. Há ostras gordas e suculentas escondidas por conchas minimais e esguias e há ostras minimais e esguias escondidas por conchas gordas e suculentas. 
Num dia bem passado o problema mais grave, o que mais dá que pensar, nunca é uma questão mais pesada do que esta, de saber como se devem apreçar os mariscos. E o maior risco que se corre é de nos calhar uma ostra menos cheiinha. Num dia bem passado acabam por ser todas boas. Fica-se tolinho de tanto contentamento. Um dia quando é mesmo bem passado nem faz pena quando acaba. 

                                                                                                     Miguel Esteves Cardoso, Público , 2/11/11.

20 de novembro de 2011

Os Heróis do Mar na Pena (1982)



Na próxima segunda, 21 de Novembro, é reeditada a discografia completa dos Heróis do Mar. Este videoclip de 1982 foi parcialmente rodado no Palácio da Pena. Muito antes de Sintra Património da Humanidade. Eram realmente uma banda muito à frente.

9 de outubro de 2011

José Gomes Ferreira, Augusto Abelaira e Carlos de Oliveira



José Gomes Ferreira, Augusto Abelaira e Carlos de Oliveira na casa de Albarraque (anos 60/70), projectada por Raul Hestnes Ferreira.

Foto encontrada aqui.

7 de outubro de 2011

Retalhos da vida duma praia



Fernando Namora no Magoito (anos 60).

Foto encontrada aqui.

Quatro artistas em Sintra



Rogério de Freitas, Leão Penedo, Fernando Namora e Vergílio Ferreira em Fontanelas (anos 60).

Extraordinário como, nos arrabaldes de Sintra, nos cruzávamos tantas vezes com gente desta envergadura. 
Impossível não recordar também o José Gomes Ferreira na casa de Albarraque. 
Foto encontrada aqui

5 de setembro de 2011

DOMINGO GORDO NO CASINO EM 1926



Vasculhando no arquivo da Cinemateca Digital, deparei-me com esta "reportagem cinegráfica" de 1926, quanto a mim soberba! Retrata um baile infantil realizado no Domingo Gordo, no velho Casino. Pelo menos uma das crianças identificadas, que não vou aqui nomear, encontra-se ainda entre nós. A realização é do conceituado Artur Costa Macedo.

Visualizar o filme aqui.

Ainda sobre Sintra, no mesmo arquivo, a não perder o documentário Cintra e Seus Arredores, de 1922, com extraordinárias imagens do recentemente recuperado Chalet da Condessa ou do eléctrico em circulação na Volta do Duche, entre outros motivos de interesse. 

18 de agosto de 2011

SINTRA NA FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE SINTRA





Como é corrente, terá lugar em Novembro a Festa Literária Internacional de Sintra. Iniciativa meritória que, por ora, tanto quanto me apercebi, de sintrense pouco mais tem do que um cartaz bonito e o facto de se desenrolar no Olga Cadaval. 

No entanto, soube por gente amiga que a página do Facebook do evento apresenta uma transcrição de um apontamento que deixei aqui no Beijo em Fevereiro do ano passado sobre a casa de Glauber Rocha em Sintra, sem atribuição de autoria ou indicação do nome do blog (link para o meu texto aqui e para o Facebook aqui). 

Ainda assim, agrada-me presumir que aqui do meu cantinho talvez tenha contribuído para (re)colocar o grande Glauber Rocha no mapa da cultura de Sintra. O que é certo é que já está prevista uma mostra dos seus filmes na referida Festa. Afinal, nem tudo é mau. 


17 de julho de 2011

Gloria Swanson




"Nas duas ou três vezes que passou férias na Praia das Maçãs, Gloria Josephine Mae Svenson, ou Gloria Swanson (1899-1983) para os anais do cinema, dispensou as pulseiras e colares Cartier. Quando descia ao areal, vinda de um longo passeio a pé - ou de caleche, em dias agrestes - entre as falésias das Azenhas do Mar e a Praia Pequena, ninguém podia supor que aquela senhora discreta fosse Norma Desmond, a personagem imortal de O Crepúsculo dos Deuses, filme de Billy Wilder (1950) que protagonizara ao lado de William Holden e Erich von Stroheim e lhe devolvera a aura dos tempos da prostituta Sadie Thompson (A Sedução do Pecado, 1928) e da estenógrafa de The Trespasser (1929).Não havia outro lugar no mundo onde a actriz gostasse tanto de veranear, longe das praias postiças da Califórnia e alheada da fastidiosa América. Diz-se que a primeira vinda a Portugal se deveu ao desgosto de ter perdido o Óscar para Judy Holliday. Gloria não perdoou a Hollywood a ingratidão, e desde então as suas aparições rarearam limitando-se a alguns peplum italianos e espectáculos na Broadway. Nos anos 1920, fora a rainha do cinema mudo - entre 1915 e 1927, participou em meia centena de títulos como Male and Female (1919), Zaza (1923) e Madame Sans-Gêne (1925) - e por muda foi tomada entre os sintrenses. Entre os locais não há memória da sua voz cavada, ou sequer do olhar sobranceiro, do nariz afilado e da farta cabeleira. Hoje, ninguém sabe que a Praia das Maçãs era frequentada por uma das derradeiras divas. Gloria caminhava discreta pelas arribas para cá e para lá, ladeada pelo sobrinho, oculta por lenços violeta e óculos negros de grandes aros. Dispensava o social e as abordagens de algum fã mais atento. Não dispensava o blush. À tarde, preferia os toldos e as esplanadas às festas dos nobres da vila. Gostava de amêijoas e de tremoços. Apreciava a humidade e a bruma, o eléctrico, os pescadores empoleirados nas rochas e os berros das gaivotas. Lia Eça, Byron e Rimbaud. Escrevia poemas a lápis de cor que rasgava logo a seguir ou pegava-lhes fogo.Consta que terá passado uma noite inteira de insónia na varanda a contemplar o oceano e a beber moscatel. Gloria chegou a Nova Iorque doente e as praias de Sintra foram as suas últimas férias."

                                      Tiago Salazar, Notícias Sábado, 16/7/11

12 de julho de 2011

As bolas de Berlim e o microclima





"Da esquerda para a direita: a minha irmã Fátima, o meu cunhado José, a minha mãe, o meu pai, a Aninhas (de costas, a olhar para o mar). Praia Grande, um Verão de antes de 1987, eu diria algures entre 1980 e 1982. A fotografia é tirada por mim, que à época tinha a mania da fotografia...
Mas a ideia desta memória, para lá da família, é recordar a mulher que à direita explica ao meu pai os mistérios do tempo, de como pode estar frio em Sintra quando em Lisboa escalda, e todo o fenómeno do microclima do Penedo e arredores. A mulher era a mais que famosa Dona Luísa, a rainha da bola de Berlim, mais tarde (depois de se reformar) abafada pelo “Lá Vou Eu” – que, faça-se justiça, mais não era do que um seguidor sem graça da técnica da Dona Luísa, que fazia das bolas da Praia Grande as mais saborosas de todo o Portugal. Dito por mim, que nunca comi bolas noutro lugar.
Mas agora que é Verão, convém deixar escrito."

                                                            Pedro Rolo Duarte, no blog Pré-história

12 de junho de 2011

O ANGRA



No blog de Pedro Rolo Duarte, encontrei esta foto de 1983, de sua autoria. Foi em Abril. Lembram-se?

4 de junho de 2011

Os U2 em Sintra



Que a foto desta capa foi tirada na Praia das Maçãs, não há quem não saiba. E onde foi tirada a de baixo?




29 de maio de 2011

Ericeira (anos 60?)


Os últimos vestígios da Ericeira piscatória e saloia num documentário promocional.

29 de abril de 2011

Chalet Sasseti (1917)




Fotos do chalet Sasseti, da autoria de Alfredo Pinto (Sacavém), na Ilustração Portugueza nº 612, de Novembro de 1917.

Fonte: Ilustração Portugueza

24 de abril de 2011

Josephine Baker em Sintra (1941)




A diva norte-americana, à chegada à Granja do Marquês, em 1941.
Mais sobre Josephine Baker em Portugal aqui.

21 de abril de 2011

Vitral art nouveau de inspiração sintrense




Vitral de Cláudio Martins para o eiffeliano Auto-Palace (1907), Lisboa.
Fotografia de Mário Novais, aproximadamente de 1956.
Créditos: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian.

15 de abril de 2011

O velho Jornal de Sintra




O velhinho Jornal de Sintra, nos tempos de António Medina Júnior. Imagem não datada.
Fonte. Livros Suméria.

14 de abril de 2011

O poder do verde


Impressionante o estado deste carro estacionado junto à Casa dos Penedos. Fez-me lembrar este post no amigo Sintra, Acerca de.  

26 de março de 2011

Praia das Maçãs, 1964






Rallye de São Martinho.

Foto aqui.

Rallye TAP, Março de 74





À noite, descendo da Pena. Ainda se circulava nos dois sentidos no Largo do Vitor, como se vê pela sinalização. Aquele cotovelo para a esquerda não devia ser pêra doce...

Fonte: Restos de Colecção 

20 de janeiro de 2011

David Mourão-Ferreira na Praia Grande e uma foto de Ferreira de Castro no Hotel Netto


David Mourão-Ferreira — vê-se que é na Praia Grande e parece ao estilo de Gageiro — digo eu...


Está patente até 28 de Janeiro na K Galeria, Bairro Alto, uma exposição de 30 fotos de Eduardo Gageiro — Retratos com Histórias. Como atractivo para os sintrófilos, um belo retrato de Ferreira de Castro em 1968, com a legenda "num hotel em Sintra, onde vivia uma temporada por ano." Seria, portanto, no extinto Netto. Não o consegui googlar, mas fica aqui o link para a fotogaleria do Público.

7 de janeiro de 2011

Visita a Sintra da Kraft durch Freude - 1938




1938 - Turistas alemães da  Kraft durch Freude (organização alemã equivalente à portuguesa FNAT) de visita a Sintra.

Imagem: capa do número especial da revista DAF Arbeitertum, de Abril de 1938.

Fonte: Briefe An Konrad

Catitinha, Praia das Maçãs (1937)



O Catitinha rodeado de crianças, na Praia das Maçãs, em 1937. Foto de Margarida Pelágio, via blog Praia Deserta.


"A praia era a sala de espectáculos: havia fantoches de cabeça de pau que, com voz esganiçada, reproduziam rixas de bêbados, vendedores de línguas-da-sogra em quantidades volúveis, de acordo com a tômbola que encimava a lata, num casino sem néon para apostadores de calções. Aparecia o Catitinha e o seu apito, espécie de Pai natal do Verão, que distribuía apertos de mão, numa antecipação notável dos politicos de hoje. E batatas fritas da Tia Maria em pacotes sem rótulo, e bolas-de-berlim em cestos de vime cobertos de alvuras de linho. Nesse tempo, a bola-de-berlim não tinha creme. E havia também o cabo-do-mar, imponente na sua farda, marinheiro inútil, em doca seca. E distinções de classe, porque a praia , ao domingo era para o povo. E toldos às riscas que navegavam à bolina de acordo com o vento, e barracas com pontes levadiças que se baixavam e se transformavam em casulos onde meninas, dentro se despiam para sairem borboletas, E havia amores, os primeiros, onde não mais se retorna, porque o coração deixou de ser o mesmo. Praia das Maçãs sem macieiras, habitada pela minha infância, bichos de areia e jogo do prego, aparece na solidão da velhice, para me dar, de novo, desbotada, a ilusão da felicidade."

Nuno Lobo Antunes, in Visão, 15 de Julho de 2009.