25 de dezembro de 2013

Pensão de Santa Margarida (anos 30)































Etiqueta da Pensão de Santa Margarida, datada dos anos 30, segundo o site espanhol de colecionismo onde a encontrei. Já nos referimos aqui a este local, a propósito da sua suposta ligação a Fernando Pessoa e Aleister Crowley.   

11 de dezembro de 2013

11 de novembro de 2013

Haiku


Foto: Sintra, acerca de



















No alto da montanha
serão verdes
todas as coisas?

José Tolentino de Mendonça, A papoila e o monge

19 de outubro de 2013

"O Destino", de Georges Pallu (Sintra, 1922)




Breves mas maravilhosas perspectivas da vila e de Monserrate neste trailer.

Video: Dailymotion


"Chega a Lisboa uma misteriosa senhora de barco e dirige-se a Sintra, à Quinta da Marquesa de Souzel, onde decorria a festa dos seus anos. Mas ao passar perto, sofre um acidente e é socorrida pelos convivas. Maria de Oliveira, uma das presenças da festa, reconhece na senhora a Viscondessa sua Mãe.
É revelado, então, que Maria é filha do irmão da Marquesa e que a Viscondessa é filha do caseiro da Quinta de Souzel. Envergonhada com o fruto do seu amor secreto, a Viscondessa deixa Maria aos cuidados do Embaixador do Brasil em Lisboa e fugiu de casa de seu pai, André. Voltava agora para reencontrar-se com a sua filha. D. Luís, Conde de Gradil, pai de Maria, abandona a Quinta."
               
        Luís de Pina, in História do Cinema Português, Europa-América, 1986 (cit. in amordeperdicao.pt)

19 de julho de 2013





   
Praia das Maçãs, 1922 
(Fernando Roneberg, Old Photos of Praia das Maçãs)































A vista do mar

Esta semana tem havido uma espantosa bonança nos mares de Colares. Temos tomado grandes banhos com a  oportunidade de estar a boiar de costas para o horizonte, a ver rebentar nos baixios as ondas que apenas nos levantam como se fôssemos canas partidas.
É bom estar de costas para as ondas, sem medo delas, porque podemos apreciar a paisagem que só do mar se vê. As vistas do mar mais bonitas desta costa são as das praias da Ursa, do Magoito e da Adraga.
A chegada ao Magoito, logo descendo pela estrada, é a mais espectacular, dando-nos a impressão de mergulharmos abaixo do nível do mar. A vista cá de cima, até ao Cabo da Roca, deslumbra sempre. Nunca dura mais de um tempinho antes de aparecer outra inadivinhavelmente linda.
Mas a vista do mar ainda nos torna mais pequeninos, dando-nos como perdidos, como só faz um céu cheio de estrelas, observadas a fio, até compreendermos, tremendo, as distâncias e os tamanhos relativos.
A Adraga é a mais enganadora vista da estrada. é muito bonita (e tem um famoso mas simpatiquíssimo restaurante) mas só  no mar é que se percebem a extensão da praia (e a praia secreta mesmo ali ao lado) e, sobretudo, as belezas épicas das colinas das grutas e da encantada Pedra d'Alvidrar.
Só com mar invulgarmente manso é que nos é dada a sorte de tal contemplação, ao longo de uma hora embarcada, como se tivéssemos voltado à origem dos tempos e mais nada houvesse senão plantas, rochas, água, ar, areia, céu e o fogo do sol.

Miguel Esteves Cardoso, Público, 18 de Julho de 2013 

12 de junho de 2013

Sintra: 20 nomes para o séc. XX

Expresso está a divulgar uma lista de 100 nomes marcantes do séc. XX português. No Reino de Klingsor, encontrei esta lista dos 25 maiores sintrenses do séc. XX. Dei-me ao exercício de tentar fazer uma lista semelhante e concluí não ser nada fácil. Limitei-me então a vinte nomes, numa listagem altamente subjectiva e injusta e sem qualquer ordenação, que só a tornaria ainda mais discutível. Todas estas figuras nasceram ou viveram em Sintra, sazonal ou permanentemente, e deixaram aos vindouros um rasto assinalável da sua presença. Reconheço que alguns nomes são sobreviventes do séc. XIX, mas em Sintra, como a vejo, o legado oitocentista é ainda hoje incontornável. 


José Alfredo da Costa Azevedo, cronista e historiador.




















D. Amélia de Orleães, rainha de Portugal.
















Elise Hensler, Condessa d'Edla.




















Jane Lawrence Oram, matriarca do Hotel Lawrence.















Carlos de Oliveira Carvalho, administrador florestal do Parque da Pena.




















Norte Júnior, arquitecto.




















António Augusto Carvalho Monteiro, filantropo.




















Francisco Costa, escritor.




















Nunes Claro, poeta, médico.
















Raul Lino, arquitecto.
















António Medina Júnior, jornalista.




Alfredo Keil, pintor e compositor.



      















Olga de Cadaval, benemérita, protectora das artes.




  










Adães Bermudes, arquitecto.















António Rodrigues da Cunha, jornalista.




















Sir Frederick Lucas Cook, 2º visconde de Monserrate.



Oliva Guerra, poetisa.




Gregório de Almeida, médico.














Vianna da Motta, pianista e compositor.




Ferreira de Castro, escritor.




8 de junho de 2013

Not this year


Praia das Maçãs, 1977 
















Indecisão de Junho

"[...] Nos primeiros dias de Junho, na freguesia munificiente de Colares, tenho ouvido do pior que há: que não vai haver Verão; que as estações do ano acabaram; que agora só vai haver horas de sol e de calor, ocasionalmente, como excepções.
Sem ligar a estas maldições entro na água do mar da Praia das Maçãs e, em vez de me sentir redimido, sinto-me rejeitado. Está frio e o mar está bravo. O oceano Atlântico não quer saber de mim.
Mesmo assim, recordando os banhos de mar que tomei, lembro-me do peso e do prazer do oceano. Se calhar, somos nós que nos temos de habituar às mudanças dele, em vez de esperar sempre que ela seja como nós queremos.
Vejo os estrangeiros a tomar banho em dias que para nós são frios e encobertos. Tenho de aprender com eles. Tenho de me lembrar dos anos em que vivi na Inglaterra e teletransportar as minhas baixas expectativas para o aqui e agora português.
O pior é que, com as nortadas, muitas vezes está mais frio fora de água do que dentro dela. Tenho de fazer um Verão interno, fazendo exercício, tornando-me quente, para o mar se tornar refrescante.
Está bem, está. Not this year."

Miguel Esteves Cardoso, Público, 7/6/2013   

3 de maio de 2013

Seteais, 1979


Fonte: Old Portugal


















«Cruges, no entanto, encostado ao parapeito, olhava a grande planície de lavoura  que se estendia em baixo, rica e bem trabalhada, repartida em quadros verde-claros e verde-escuros, que lhe faziam lembrar um pano feito de remendos assim que ele tinha na mesa do seu quarto.»

                                                                                                          Eça, Os Maias

24 de fevereiro de 2013

Valdemar Alves










Valdemar Alves (à esquerda) 
Foto: CMS

Soube hoje, com grande surpresa e pesar, do desaparecimento de Valdemar Alves. Era uma apaixonado e um defensor das coisas de Sintra, em particular do Eléctrico. Funcionário camarário da área dos arquivos, por opção própria, tornara-se, há alguns anos, guarda-freio e investigador histórico do Eléctrico de Sintra. Do seu entusiasmo pelo Eléctrico ficou-nos o livro 100 anos do eléctrico em livro, escrito em parceria com Júlio Cardoso, e numerosa atividade na blogosfera sintrense, incluindo alguns comentários deixados neste espaço. Era uma figura de extraordinária simpatia, sempre disponível para partilhar os seus vastos conhecimentos e o seu importante acervo sobre o seu / nosso tão amado Eléctrico, que perdeu talvez o seu mais acérrimo defensor dos últimos anos.

       

7 de fevereiro de 2013

CÂMARA VAI CLASSIFICAR ELÉCTRICO COMO BEM DE INTERESSE MUNICIPAL

A concretizar-se, é uma decisão de grande significado, na esteira de outros pontos altos da defesa do património sintrense, como a anulação do projeto de Fernando Távora para a volta do Duche.   














"AUTARQUIA VAI CLASSIFICAR ELÉCTRICO COMO BEM DE INTERESSE MUNICIPAL

Tendo a Direção-Geral do Património Cultural determinado o arquivamento do procedimento administrativo relativo à classificação do Troço Ribeira/Praia das Maçãs da antiga Linha de eléctricos, a Câmara Municipal de Sintra vai proceder à abertura do procedimento de classificação como imóvel de interesse municipal de toda a linha de eléctrico, oficinas e instalações secundárias, respetivos recheios e material circulante.

A Câmara Municipal de Sintra considera ser necessário proteger a já centenária linha de eléctrico, não só no que concerne às memórias e vivências passadas, mas também pela peculiaridade deste antigo meio de transporte, hoje de grande alcance turístico."

Fonte: CMS

Foto: Valdemar Alves

16 de janeiro de 2013

PETIÇÃO DA ASSOCIAÇÃO ALAGAMARES CONTRA O ARQUIVAMENTO DA CLASSIFICAÇÃO DO ELÉCTRICO DE SINTRA






"Caros Amigos
Foi publicitado na segunda série do DR o arquivamento do procedimento de classificação da linha de eléctricos de Sintra, incluindo estruturas de apoio e composições. Nesse despacho, assinado pela directora-geral do Património Cultural, é indicado que o arquivamento foi decidido com base num parecer aprovado em Novembro pela Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, de acordo com o qual "muito embora o bem em apreço constitua valor de referência para o município de Sintra, enquanto elemento distintivo das vivências locais há mais de um século, não reúne os valores patrimoniais inerentes a uma distinção com valor nacional".
A partir de agora, o troço Ribeira/Praia das Maçãs da antiga linha de eléctricos de Sintra deixa de estar em vias de classificação, deixando igualmente de ter uma zona de protecção de 50 metros a contar dos seus limites externos, acrescenta o documento. Os interessados poderão reclamar ou interpor recurso tutelar do acto que decidiu o arquivamento deste procedimento de classificação.
O eléctrico de Sintra foi aprovado por decreto do governo de 22 de Julho de 1899, ficando a construção da linha a cargo de uma empresa francesa, a Darras e Cª, de Paris, sendo o projecto do engenheiro Lebastard Sagers. O fornecedor dos eléctricos foi a empresa J.G.Brill Company, de Filadélfia, em 1903,num total de 13 unidades, sendo o primeiro eléctrico guiado pelo engº Wan-der-Wallen, que fez o percurso de 8 km em 24m,a 27 de Março de 1904. A inauguração do troço até Colares ocorreu a 31 de Março de 1904, num total de linha de 12.605m, custando um bilhete de Sintra à Praia das Maçãs 200 réis. A ligação ás Caves do Visconde Salreu, ocorreu a pedido deste em 1924 e o troço Praia das Maçãs-Azenhas do Mar funcionou entre 1930 e 1954. Em 1963 deixaram os eléctricos de ser azuis, passando até hoje à cor encarnada.
Depois de durante vários anos se ter obrigado os proprietários ou requerentes de pedidos de uso ou transformação do solo num raio de 50m para cada lado da linha e no seu troço a obter parecer vinculativo da Administração Central, moroso e anacrónico, o processo acaba assim ingloriamente no lixo. Convém porém reflectir um pouco sobre os argumentos utilizados, e perguntar: quantos eléctricos semelhantes há pelo país, fora de zonas urbanas e que atravessem uma zona património mundial como este? Será este um primeiro passo para, sem a protecção duma classificação, o mesmo vir a acabar de vez?
Não obstante se possam fazer críticas ao actual modelo de gestão e utilização do eléctrico de Sintra, por vezes demais interrompido e sem sequência e regularidade para impor um estilo e uma rotina, ou mesmo complementaridade com outros programas turísticos, estando o processo há muitos anos em vias de classificação, estranha-se agora a decisão tomada, ao arrepio de todo o historial e sem que nenhum facto novo e relevante leve a tal decisão. A ALAGAMARES-ASSOCIAÇÃO CULTURAL, de Sintra, no âmbito do direito ao contraditório, irá enviar reclamação sobre esta decisão, para tanto deixando desde o convite se se quiser juntar para o fazer,subscrevendo a presente petição.
Saudações Cordiais

ALAGAMARES-ASSOCIAÇÃO CULTURAL

Os signatários"


ASSINAR PETIÇÃO AQUI

Foto AQUI