19 de julho de 2013





   
Praia das Maçãs, 1922 
(Fernando Roneberg, Old Photos of Praia das Maçãs)































A vista do mar

Esta semana tem havido uma espantosa bonança nos mares de Colares. Temos tomado grandes banhos com a  oportunidade de estar a boiar de costas para o horizonte, a ver rebentar nos baixios as ondas que apenas nos levantam como se fôssemos canas partidas.
É bom estar de costas para as ondas, sem medo delas, porque podemos apreciar a paisagem que só do mar se vê. As vistas do mar mais bonitas desta costa são as das praias da Ursa, do Magoito e da Adraga.
A chegada ao Magoito, logo descendo pela estrada, é a mais espectacular, dando-nos a impressão de mergulharmos abaixo do nível do mar. A vista cá de cima, até ao Cabo da Roca, deslumbra sempre. Nunca dura mais de um tempinho antes de aparecer outra inadivinhavelmente linda.
Mas a vista do mar ainda nos torna mais pequeninos, dando-nos como perdidos, como só faz um céu cheio de estrelas, observadas a fio, até compreendermos, tremendo, as distâncias e os tamanhos relativos.
A Adraga é a mais enganadora vista da estrada. é muito bonita (e tem um famoso mas simpatiquíssimo restaurante) mas só  no mar é que se percebem a extensão da praia (e a praia secreta mesmo ali ao lado) e, sobretudo, as belezas épicas das colinas das grutas e da encantada Pedra d'Alvidrar.
Só com mar invulgarmente manso é que nos é dada a sorte de tal contemplação, ao longo de uma hora embarcada, como se tivéssemos voltado à origem dos tempos e mais nada houvesse senão plantas, rochas, água, ar, areia, céu e o fogo do sol.

Miguel Esteves Cardoso, Público, 18 de Julho de 2013 

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