24 de fevereiro de 2019

João Bigotte Chorão


   João Bigotte Chorão (1933-2019)

   Memorialista exímio, mestre na arte da evocação. Camilianista distinto — talvez o último. Amigo de Francisco Costa, evocou-o, há anos, no Museu Ferreira de Castro. Em tempos que já lá vão, tive a grande honra de o conhecer, em andanças camilianas onde João Bigotte Chorão era indispensável e assídua presença.   

24 de novembro de 2017

Pedro Rolo Duarte (1964-2017)


FB













"Foi há quase vinte anos. Queria à força ser independente, dono da minha vida, do meu destino, e saí de casa dos meus pais para viver sozinho numa casa alugada em Almoçageme, perto do mar da Praia Grande, que foi o mar da minha infância e juventude." 

Blog de Pedro Rolo Duarte (1964-2017)

8 de janeiro de 2017

Mário Soares, Sintra, 1993


Mário Soares em Sintra, nas comemorações do 10 de junho, assistindo, na primeira fila, à atuação de Tom Jobim, ladeado pela Dra. Maria de Jesus Barroso e por António Alçada Batista. Estive lá, no velhinho ringue do Parque da Liberdade.

Foto: FMS 

19 de abril de 2016

Germana Tânger: Vidas num vida




























Foi apresentado hoje no Teatro Nacional D. Maria II o livro de memórias de Germana Tânger, Vidas numa vida.  Aos noventa e seis anos, «as memórias surgem espontâneas no arrebatamento e no gosto pela arte de representar e a arte de transmitir a poesia, que é uma das mais exaltantes riquezas da cultura portuguesa a que a Maria Germana Tânger deu expressão» (do prefácio de António Macieira -Coelho).

24 de setembro de 2014

"O silêncio e a névoa aproximam mais as nossas almas"


Arquivo fotográfico CML

















POEMA DA "PENINHA"


Eu amo a névoa.
Eu amo esta estranha linguagem segredada...
Nasceram e desfizeram-se as distâncias...
Perderam-se contornos e arestas...
Transfigurou-se tudo,
Abstractamente...
E a minha alma descansa
Entre uma saudade calma
E um presente feliz...


Lá em baixo há manchas douradas,
Nuvens em fogo,
Ondas em fogo... cintilações... prata derretida...
(É mar ou céu?...)


- Deixa crescer este silêncio...
O silêncio e a névoa aproximam mais as nossas almas...
Deixa-te embalar em sonhos imprecisos...
 
 
                                              Cristovam Pavia
 

30 de agosto de 2014

A gelataria mais ocidental da Europa















Após meio século de funcionamento na Praia das Maçãs, a histórica gelataria Dolomite mudou-se para Almoçageme. É uma baixa de vulto para as Maçãs, mas pelo menos Colares não perde uma referência de grande tradição.

Inebriada de neblina e maresia , a Praia das Maçãs tem, às vezes, estes desmazelos de fidalga perdulária. Claro que como aldeia propriamente dita, como terra saloia, Almoçageme tem muito mais pitoresco do que a Praia das Maçãs, fundada há pouco mais de 120 anos por um padre (Matias del Campo), um pintor (Alfredo Keil) e um taberneiro (Manuel Prego). Mas a praia do eléctrico mantém intocado o seu estatuto de cabeça de cartaz da região de Colares. 

Agora no caminho da Adraga, a senhora Maria Júlia Machado continua a partilhar os saberes e sabores que herdou por via familiar. A sua generosidade vai ao ponto de nos relatar minuciosamente em que banca do mercado adquiriu certo ingrediente ou qual a mercearia local onde se abastece disto e daquilo. Durante o ano, aos domingos, no fim da volta dos tristes, sabe bem passar por lá e trazer para Lisboa uma cuvete dos nossos sabores preferidos. De Verão, é ponto de passagem obrigatória para quem se movimenta no eixo Maçãs-Adraga.



              

29 de junho de 2014

Grande Praia Grande, Miguel Esteves Cardoso













Grande Praia Grande

"Das três praias perto da nossa casa a única que ainda tem areia bastante para se entrar na água sem pisar pedrinhas é a Praia Grande. Este ano a magnífica Praia da Adraga é a mais pedregosa, seguida pela Praia das Maçãs, onde a entrada pica a não ser pela extrema direita.
Anteontem a Maria João e eu tomámos um banho eufórico na Praia Grande: um daqueles banhos oceânicos e pacificadores que só na Praia Grande se podem tomar. Cada primeiro banho do ano é como nascer. Compreende-se, sensual e inteligentemente, a grande ideia atrás - e à frente - do baptismo.
Não sei como há quem se queixe da frieza destas águas. Aqui, nas praias da freguesia de Colares, os forasteiros que cá vêm e se queixam confundem o frio com a frescura.
Aqui a água é fresca: é atlântica. Traz o peso todo do oceano ao qual a história de Portugal não foi avessa. Traz resquícios da origem da nossa espécie. Quando mergulhamos o corpo e a cabeça no oceano da Praia Grande é como se estivéssemos a voltar a casa. A uma casa muito menos distante do que pensamos, à qual pertenceremos eternamente.
Os estabelecimentos da Praia Grande, concessionários ou não, absorveram a grandeza e a natureza daquela paisagem vivida, sabida e emocionantemente imprevisível. Entre-se onde se entrar, para beber um café e uma água, ou almoçar ou jantar, é-se recebido como um velho amigo.
Como um ser humano, numa praia muito mais antiga do que nós mas, magicamente, refeita à nossa medida.
Venham."

Miguel Esteves Cardoso, Público, 28/06/2014

16 de maio de 2014

Painéis de Maria Keill na Praia das Maçãs destruídos









"Alejos forravam as paredes de um depósito de água à entrada para a piscina da Praia das Maçãs."

9 de março de 2014

Mestre Almada Negreiros em Sintra

















Em fim de semana de centenário do "Dia triunfal" de Fernando Pessoa, aqui fica este registo do seu amigo Almada Negreiros no Castelo dos Mouros (anos 60). Almada viria a falecer a 15 de junho de 1970, no Hospital de São Luís dos Franceses, no mesmo quarto onde Pessoa falecera 35 anos antes. 

Foto: Público (espólio de Almada Negreiros).

8 de fevereiro de 2014

Projeto de Recuperação da Peninha


Arquivo Fotográfico CML





Arrancou o projeto Peninha: aprender com a Natureza e a História. O objetivo é resolver os problemas de abastecimento de água ao Santuário e melhorar o isolamento dos edifícios. A iniciativa é promovida por um grupo de amigos que tem apoiado a manutenção do Santuário e a sua utilização como base para atividades socioeducativas de conservação e divulgação do património histórico e natural, prevenindo a degradação e vandalização daquele importante espaço da serra através de uma assídua presença humana empenhada na preservação do património.

Uma iniciativa merecedora do apoio e divulgação de todos os amigos de Sintra!

Facebook do projeto aqui.


Arquivo fotográfico CML



Fotografias do Arquivo da CML, ainda anteriores à campanha de obras de António Augusto Carvalho Monteiro, sob projeto do mestre Júlio da Fonseca.

  

5 de janeiro de 2014


















O Benfica é um guilty pleasure que procuro deixar de parte neste espaço. Mas, num dia como o de hoje, não resisto a publicar uma das minha fotos preferidas de Eusébio, aqui na companhia do imortal Coluna e de Chico Buarque, no Estádio da Luzofonia.

    

25 de dezembro de 2013

Pensão de Santa Margarida (anos 30)































Etiqueta da Pensão de Santa Margarida, datada dos anos 30, segundo o site espanhol de colecionismo onde a encontrei. Já nos referimos aqui a este local, a propósito da sua suposta ligação a Fernando Pessoa e Aleister Crowley.   

11 de dezembro de 2013

11 de novembro de 2013

Haiku


Foto: Sintra, acerca de



















No alto da montanha
serão verdes
todas as coisas?

José Tolentino de Mendonça, A papoila e o monge

19 de outubro de 2013

"O Destino", de Georges Pallu (Sintra, 1922)




Breves mas maravilhosas perspectivas da vila e de Monserrate neste trailer.

Video: Dailymotion


"Chega a Lisboa uma misteriosa senhora de barco e dirige-se a Sintra, à Quinta da Marquesa de Souzel, onde decorria a festa dos seus anos. Mas ao passar perto, sofre um acidente e é socorrida pelos convivas. Maria de Oliveira, uma das presenças da festa, reconhece na senhora a Viscondessa sua Mãe.
É revelado, então, que Maria é filha do irmão da Marquesa e que a Viscondessa é filha do caseiro da Quinta de Souzel. Envergonhada com o fruto do seu amor secreto, a Viscondessa deixa Maria aos cuidados do Embaixador do Brasil em Lisboa e fugiu de casa de seu pai, André. Voltava agora para reencontrar-se com a sua filha. D. Luís, Conde de Gradil, pai de Maria, abandona a Quinta."
               
        Luís de Pina, in História do Cinema Português, Europa-América, 1986 (cit. in amordeperdicao.pt)

19 de julho de 2013





   
Praia das Maçãs, 1922 
(Fernando Roneberg, Old Photos of Praia das Maçãs)































A vista do mar

Esta semana tem havido uma espantosa bonança nos mares de Colares. Temos tomado grandes banhos com a  oportunidade de estar a boiar de costas para o horizonte, a ver rebentar nos baixios as ondas que apenas nos levantam como se fôssemos canas partidas.
É bom estar de costas para as ondas, sem medo delas, porque podemos apreciar a paisagem que só do mar se vê. As vistas do mar mais bonitas desta costa são as das praias da Ursa, do Magoito e da Adraga.
A chegada ao Magoito, logo descendo pela estrada, é a mais espectacular, dando-nos a impressão de mergulharmos abaixo do nível do mar. A vista cá de cima, até ao Cabo da Roca, deslumbra sempre. Nunca dura mais de um tempinho antes de aparecer outra inadivinhavelmente linda.
Mas a vista do mar ainda nos torna mais pequeninos, dando-nos como perdidos, como só faz um céu cheio de estrelas, observadas a fio, até compreendermos, tremendo, as distâncias e os tamanhos relativos.
A Adraga é a mais enganadora vista da estrada. é muito bonita (e tem um famoso mas simpatiquíssimo restaurante) mas só  no mar é que se percebem a extensão da praia (e a praia secreta mesmo ali ao lado) e, sobretudo, as belezas épicas das colinas das grutas e da encantada Pedra d'Alvidrar.
Só com mar invulgarmente manso é que nos é dada a sorte de tal contemplação, ao longo de uma hora embarcada, como se tivéssemos voltado à origem dos tempos e mais nada houvesse senão plantas, rochas, água, ar, areia, céu e o fogo do sol.

Miguel Esteves Cardoso, Público, 18 de Julho de 2013